Livro de Ester
Eu não conhecia a história de Ester. Não sabia que era um livro da Bíblia judaica.
Quando o Rabino Nilton Bonder faz uma palestra contando essa história,
muitas coisas ficaram gravadas em mim.
Não sabia também que é o único livro guardado na arca sagrada ao lado da Torah.
Não sabia que é o único livro das Escrituras onde o nome de Deus nem por uma vez é mencionado.
O que me deixou apaixonada de imediato foi o que o rabino Bonder contou da história de Ester, dizendo que essa narrativa não era propriamente articulada, ou era articulada através de espaços, de silêncios, de espaços em branco onde personagens distintos, vozes múltiplas, diversos relatos aconteciam em uma multiplicidade de tempos narrativos. Bonder enfatiza uma espécie de desarticulação narrativa e temporal. Não existe no Livro de Ester nem linearidade narrativa nem linearidade temporal.
E o mais incrível é a existência de uma lei na Torah que determina que o Livro de Ester deve ser para sempre deixado assim, que essa espécie de desarticulação é a própria razão de ser dessa história.
Lembrei-me imediatamente do filósofo hassídico rabbi Nahman de Bratislav, que afirmava que devíamos deixar sempre às letras a possibilidade de serem letras, apesar da existência das palavras, para que possamos procurar sempre
Lena Bergstein