Fragmento de uma entrevista
“A partir de um texto meu sobre a obra gráfica e pictural de Artaud, Lena criou um novo trabalho com seus próprios suportes, com palavras que são suas palavras, enxertadas nas palavras de Artaud e nas minhas. Ela concebeu e corporificou uma obra original, que repercute ao lado das obras que a provocaram, o texto de Artaud e o meu próprio texto. Chamo isso de uma contra-assinatura, uma maneira de assinar original e que é, ao mesmo tempo, uma resposta à uma provocação de um outro texto. Uma resposta e uma contra-assinatura. Lena desenhou, pintou, costurou, desfez, refez, reconstituiu. Não existe aí, nenhuma figuração nem ilustração. É um trabalho do pensamento e do corpo sobre a inscrição, sobre o arquivo da inscrição, sobre a espessura gráfica e cromática.
O trabalho da cor é muito importante. As técnicas que Lena utiliza, são, evidentemente, as suas técnicas, que não são nem as técnicas de Artaud nem as minhas. Então é preciso levar em conta a arte e a técnica que são as suas com seus próprios materiais. Considero esse livro como um livro dela. É um livro, às vezes, independente, às vezes correspondente. É uma correspondência. É uma outra obra”.
Fragmento da entrevista dada por Jacques Derrida a Paulo Roberto Pires no Salão do Livro, Paris, março de 1998.