Depoimento
Lena, talvez não lhe tenha dito ainda de forma clara o quanto admiro sua obra. Impressionei-me com seus tocantes Livros, os frontais sobre as estruturas das paredes e os pousados cheios de vida sobre o ferro das mesas. Uma força extemporânea em todos, um fazer que, por deslocar-se do presente imediato, redefine e repõe o valor do atual – um agir com tempos muitos, iluminando a contemporaneidade nossa. Sua mão a coser vocábulos, a formular a Grande Página, a conduzir-nos a singular e rico Oriente: nas folhas, os antigos e ardorosos ouro e prata, a potência da pintura a conversar com a línguas da pintura — sua história — e com os fazeres escripturais de Bizâncio e pós Bizâncio. Tela e ficção e sonho. Enérgicos e serenos. Em todos os escritos plásticos seus, a força sacra do rito – a que mais do que a linguagem situa nossa humanidade.
Roberto Correa